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Mostrando postagens de novembro, 2014

dia nascente

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eu, de novo, ali, feito bobo. com medo. não chego em mais ninguém, não sei mais flertar. preciso da reinvenção. eu, perdido no espaço-tempo, de novo, sem saber o que fazer. a certeza da inexistência do nós. a ponto de fazer uma besteira sem tamanho. outro dia me controlei para segurar uma bandeja qualquer e não esgueirar minha mão pelos braços da poltrona. múltiplos braços, de plástico, tecido, epitélio. os tecidos que se esbarram mas não produzem atrito: ver a cena que foi a boca semiaberta, o céu clareando. eu to inventando tudo isso.

esfregar azulejos: solução para ansiedade e solidão

i'm feeling lonely and my hair is a mess. a total mess. minha vida é uma merda, também. até pensei em arrumar a árvore de natal. bateu saudades do pinheiro de verdade que ficava num vaso, primeiro, e depois no quintal. lembro da camisa do flamengo que ganhei de natal e usava para lá e para cá. as bolas penduradas na árvore, de seda. as luzes. não lembro se tinha uma estrela brega no alto. bateu também uma vontade de lavar os vidros da cozinha. parei na metade porque os braços cansaram e não tinha escada para alcançar os vidros mais altos. esfregar azulejos é bom para ansiedade. e para deixar a casa limpa.

contempla, constata, não entende (variação)

ali, semi-escondidos atrás da porta, parecia que eu tinha uma escolha a fazer. mas não, a vida é feita dessas pequenas surpresas, e de tanta doideira... quase que no escuro, na penumbra, guardando segredos. um discurso que melhor seria repetido de forma mais inflamada, para arrebatar a multidão que o ouvia: eu. eu, sozinho. entrevi uma cabeça que se espremia pela fresta da porta, e logo se retirou. a realidade voltava como baque, e eu, aturdido, perdido. para variar. a volta, contemplação. tentativa, sem sucesso. mais contemplação. constatação: rio, cidade pós-moderna, pós-colonial, ainda periférica. ainda selvagem. o céu sem estrelas. as estrelas no chão, nos morros. a vegetação. a igreja da penha. contempla, contempla, sem entender. para variar.