sempre domingos
sentado na mureta, esperando a vida passar junto dos carros e motos que entopem uma rua pequena. algumas pessoas passam também e mandam olhares, ora surpresos, ora ameaçadores. tenho fones no ouvido e me desligo dos sons ao redor; a vida parece boa e má, ao mesmo tempo. os acontecimentos parecem bons e ruins, ao mesmo tempo. tipo aquela vez que andei por botafogo, ate chegar à Copacabana pelo túnel velho. com fones no ouvido. o mundo não poderia parecer mais pacífico e ameaçador no mesmo momento. um silêncio que pesava, a não ser pela música que saía dos fones. talvez, nesse dia, eu não estivesse com fones, afinal. talvez eu tenha ouvido tiros. talvez. foi nesse dia que acabei dormindo e suando num sofá, engraçado como a gente lembra dessas coisas (todos os dias). engraçado como minha mente lembra das coisas e eu fico pensando porque não trepei com fulano daquela vez. se fosse agora, seria diferente. estaríamos trepando ouvindo norah jones, já pressentindo o fim dessa porcaria que cham...