sincronia

''eu odeio cemitérios'', eu te disse ali do alto do montinho. a gente tava sem se olhar, mas eu disse assim mesmo, enquanto olhava a paisagem da direita e voce, da esquerda. engraçado como as coisas sao, o mundo gira, dá voltas e a gente para assim, um do lado do outro. quase na mesma posiçao.

eu devo estar maluco de pensar isso tudo e falar isso tudo, mas acho que é por aí mesmo. o mundo é esquisito mesmo, tem quem diz que deus escreve certo por linhas tortas ou escreve errado por linhas retas, eu nao sei nada, no fim das contas. só sei que é bem natural tudo isso, foi bem natural.

''eu odeio isso de cemitérios, enterros, cortejos fúnebres, sabe'', mas voce nao sabe, pelo simples fato de que sabe nada de mim. tem tanto tempo isso tudo e tem mais tempo ainda que odeio cemitérios etc, e nada. quando a gente virou para olhar a mesma paisagem, e ficou na mesma posiçao, eu lembrei do dia em que aquela escadinha viu quatro pés baterem em sincronia os degraus.

a gente virou sincronizado, é isso. olhou a paisagem sincronizado, é isso. pensou sincronizado, é isso. mas nada além disso. para por aqui, é isso.

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