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Mostrando postagens de julho, 2013

o tempo, ele nao volta, mas ronda

os assuntos tão se repetindo. eu nao sei exatamente, mas me sinto tão preso ao meu passado agora, de forma tão forte. mas preso deliberadamente, nao forçado. algumas coisas deixei ir embora (talvez tenha sido melhor; só me arrependo de ser babaca). nao sei de onde vem essa vontade de viver o passado, mas não esse passado teatral, aquele passado distante, aquela coisa longínqua, quando eu tinha mais medo que nunca, mais medo que tudo, quando eu era nada. vontade de foder meu passado inteiro. aí ontem aquela história de "quero ir para o chile" me reacendeu a memória, e eu lembrei daquele argentino perdido muambeiro na lapa. corri pro quarto e abri aquela caixinha de metal que fica atrás das camisas de botão, nos fundos do armário, e achei tantos papeizinhos cheios de saudade e do tempo que nao volta mais. nunca pensei que fosse realmente possível me sentir feito amelie poulain, mas me senti. na verdade, eu me senti como o velho ao abrir a própria caixinha anos depois: encon...

o tempo, ele nao muda.

finjo a normalidade apesar de no outro dia ter corrido na direção contrária dos manifestantes e da polícia, também, e no fim pisar numa poça e encharcar meus tênis que já estão super furados. passei o resto da noite com as meias encharcadas mas depois de meia garrafa de vinho tinto seco barato já não ligava mais ou o calor do vinho fez a água evaporar. nao tinha ninguém interessante naquela festa. ou tinha, mas no fundo não tinha, de verdade. engraçado como li ainda há pouco "o tempo é resposta, mas ele passa e a história continua a mesma" e não poderia ser nem mais engraçado, mesmo, nem mais verdade; não sei se forço essa história ou me não deixo o tempo passar ou o que seja, mas é engraçado como naquela noite, para variar, você estava lá como em qualquer outro momento. whatever, né. vida que segue. afinal, o tempo muda tudo.

155 pessoas online no facebook e eu falo com: nenhuma

ultimamente tenho achado tanta coisa chata que já perdi a conta. "vc reclama muito" ja me disseram e quase respondi com um "nao pedi tua opinião quiridinho". gente intrometida tem aos montes, né. além disso tenho achado tudo, também, absurdamente medíocre nesses tempos. até o frio tá medíocre, porque o que as pessoas fazem não seriam? isso me dá, apenas, liberdade para reclamar. mas não é a reclamação pela reclamação. é pela liberdade. liberdade de ser chato. de ser babaca. de ser mau. escroto. idiota. qualquer coisa que já fui, com certeza, nomeado por aí. mesmo quando eu tentava ser alguém simpático e legal. porque no fundo eu sabia que era um chato de galochas. só resolvi assumir isso. de que adianta ser simpático e bonzinho e no fim ser tachado de antipático de qualquer forma? me resguardo o direito. ainda to contando nos dedos o tempo que resta até todos me acharem um chato. será que me arrependo? to contando também com as pessoas que ainda me dou ao deve...

massa de ar polar

faz um frio da porra, mas nao importa. nao importa porque eu já sentia frio mas to aqui agora sem roupa quase e me cobrindo com um lençol só. desde ontem sinto frio, mas nao só na pele; bate aquele frio na espinha que podia ser você roçando a pele em mim, podia ser sua boca na minha nuca, na minha orelha. mas é só um mau agouro, quem sabe é só frio mesmo e eu tou inventando coisa.

entendendo virginia woolf

hoje parece tudo normal, já. sem preocupações além das normais da banalidade da vida por essas bandas e por esses cantos e também da minha inutilidade mórbida que parece me consumir. a diferença é que consigo lidar com esses pensamentos hoje, mas em outros dias, tudo parece grande demais. parece me engolir. como naquele dia em que me olhei no espelho e me detestei tanto, mas tanto, que queria não me olhar no espelho nunca mais e acabei por fazer a barba e no fim das contas, numa viagem de ônibus qualquer, que passava pela ruela lateral da igreja de são cristovão eu tive a certeza de que naquele dia eu tive, sim, vontade de, sei lá, (fim) (cortar a barba) mas me decidi só por cortar a barba que era o que mais me irritava naquele momento, era o que me deixava, ao mesmo, o que eu queria ser e o que eu queria não-ser, essa dicotomia que me persegue a vida inteira e que, sei lá, num momento parece absurda mas noutra parece perfeitamente normal e factível e, nessa hora, a gente entende v...

estar humano

No fundo, desde o inicio, eu nunca fui feliz, e já sabia disso e, sei lá, nunca me importei? Dai agora ta foda porque já nao consigo evitar essa verdade ou mesmo esconder dos outros e desisti de esconder de mim. Fazer o que? Restam poucas opções. outro dia me disseram "nossa conhecer esse lado, esse lado do caio que nao aparece - só conhecia o caio feliz e que brinca" e eu fico pensando ou eu são tão bom ator que não me reparo assim ou as pessoas não reparam em mim, porque eu me sinto miserável a maior parte do tempo. um virar as costas, um visualizar a mensagem e nao responder. nossa, agora cansei. me faltam paciência e vontade. no fim das contas, eu sou o antipático, escroto e babaca sempre, em todas as situações, até mesmo naquelas em que eu nao fui nada disso. e aí tudo se mistura: assumir ser babaca, escroto, antipático, triste, infeliz, miserável. mau. o mal. tudo, numa pessoa só. claro que nao com todos, pois até os brutos também amam. mas só com aqueles que não ...

treta treta treta

to aqui quase sofrendo por antecipação. não é que eu me importe realmente com a opinião alheia; eu me importo sinceramente e profundamente com ela. faço tanta merda na vida, estrago tanto a vida dos outros que eu deveria ser proibido de sair da cama. e quanto aos outros que estragam a minha vida? nao sei. tudo muito confuso. péssima forma de começar a segunda, de começar a semana. que caralha. queria poder gritar. mas tá tarde, ou cedo demais. medo de muita coisa. medo de que mesmo? nao tenho mais certeza do que tenho menos medo. queria que toda essa teoria de a história se repete fosse verdade. queria tanta coisa, mas a história nao se repetiria igual. ou eu cometeria os mesmos erros? já estou aqui misturando as ideias e os (pseudo)problemas para ver se me alivio.

sobre ser babaca idiota

outro dia eu tinha certeza de que tinha viciado em conchinha: dormir de conchinha, ser enconchinhado, enconchinhar alguém, até verbos criei. mas aí, passei do limite, fiz o que não deveria e, no final das contas, acho que sinto essa pontadinha aqui dizendo "babaca idiota" porque, de novo, desnecessariamente, esmigalho os outros.

quando a gente se percebe

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no vaso sanitário

nunca sei se o tempo que fico sentado no vaso sanitário é a espera da vontade de fazer cocô ou se é a espera da vontade de viver chegar.

perambulando

olho o relógio e são 02:22, digito a mensagem "que merda de noite hem". sem resposta. continuo andando pelas calçadas sujas da cidade que parece dormir, ao contrário do que supostamente ocorre dentro das 4 paredes. tento uma ligação, mas ninguém atende. devo ser um puto mesmo. nao tenho ninguém a quem recorrer. dispensei o auxílio num táxi qualquer, 10 minutos antes. me arrependi da noite? não sei ainda. continuo andando. penso se ligo para alguém, mas desisto antes mesmo de tentar. penso se mando um inbox a esse alguém "olha veja o 3º movimento dessa sonata de chopin, que maravilhoso tocado por essa menina, não é?" mas desisto. orgulho ou medo ou apenas perceber o quão desnecessário eu sou na vida alheia e o quão inconveniente seria ligar para alguém que realmente nao me quer. tem uma neblina, fica difícil respirar. isso foi ontem, ou é agora? é neblina, fog ou são dementadores? nao sei. continuo andando. a rua tão iluminada me impede de ver se o céu tem estr...

listas da depressão

uma amiga disse: tem um filme/livro (sei lá) de uma menina com câncer e ela resolve fazer uma lista das coisas que ela quer fazer antes de morrer e então ela passa a viver de fazer e completar as listas e então fazer novas listas e daí a gente se pega pensando que faria uma lista que contivesse: TIRAR O PÓ DO COMPUTADOR, ARRUMAR A CAMA, ACORDAR CEDO e essa lista seria ao mesmo tempo interminável e tal, mas sei lá. queria fazer uma lista mas eu teria de ser bon vivant para fazer o que quero e infelizmente nao é o caso.

valsas vazias

o rádio canta tantas músicas que trazem algumas lembranças, como daquele dia que "eu sei" surgiu na minha cabeça e eu contei a ele e então ouvimos e dançamos abraçados e nos beijamos e então eu sabia o quão ridículo deveria parecer fazer aquilo na sala, em cima dum tapete fajuto qualquer (ou talvez fosse um legítimo persa) e aquela letra que ele me cantou nos ouvidos, com a voz grave e segura, e também sussurrada, me deixou mais certo ainda. mais certo ainda de que era realmente aquilo, e aquilo era nada. quem sabe um dia estamos na mira um do outro. quem sabe.