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Mostrando postagens de março, 2013

do dia sem borboletas (2)

"então é isso só mesmo?", eu pergunto, mas a resposta não vem. a resposta nunca vem, mesmo porque sou eu que imagino tudo, e eu sou muito egocêntrico e burro para imaginar diálogos. "é isso, assim, quieto?" repito; olho para a parede. olho para a fonte no meio do pátio. o musgo amarelado de tanto tempo que não vê água, chega a causar uma impressão horrível. "na verdade, nunca dissemos bye-bye, se é que isso existe". o chafariz parece que sempre foi assim, sem vida; eu pareço sem vida. "na verdade, acho que a última coisa foi sei lá, aniversário?", eu continuo só de forma a preencher o vazio que me oprime. o vazio que, na verdade, me ocupa. acho que o certo, então, é repelir o vazio. "... aniversário?", eu continuo só de forma a repelir o vazio que me ocupa, me preenche e me oprime. como se o universo estivesse em mim e fora de mim, vazio e cheio ao mesmo tempo. "como eu odeio esse lugar, você nao diz nada?", pergunta retór...

alright, still

outro dia quase tive uma recaída. nao sei o que tem me feito ficar assim esses dias: será uma espécie de comemoração? de aniversário? triste. luto. naquele dia fatídico, eu vesti a mesma indumentária, seria isso? é basicamente, acho que passei o mesmo perfume até. mesma meia. mesma cueca. enfim, mesmo tudo. até eu talvez fosse o mesmo. a situação teria sido igual, não fosse um acaso: a inconveniência. mas acontece com as melhores pessoas. e é isso mesmo, mesmos assuntos, mesmo caio...

(ter tudo) rolando no fundo

histórias de amor duram 90 minutos eu li outro momento, é um filme creio, e não poderia cair melhor, cair feito luva. luva de assassino para nao deixar marcas. ali no jogo do jogo do jogo do jogo do jogo do bambolê a gente durou 90 minutos. nao sei por que isso me veio a cabeça, mas deve ser da fugacidade das coisas, né. no cantinho eu no colo, eu lhe sussurei "entao, amanha vc me chama prum cinema, flw" e é isso, mas os 90 minutos tinham encerrado, o juiz apitou o fim da partida. sem acréscimos.
às vezes bate aquele friozinho na barriga sobre ter uma vida nova, uma espécie de desejo que tudo aconteça logo e que se foda!! e também às vezes vem aquele medinho, aquele medinho maior que a vontade de mudar tudo. e não é isso?

absorvente

e quando de repente, sei lá, aos 40 anos, se descobre que a vida foi uma farsa? e se se descobre aos 22? TARAN dúvida, dúvida. o cãozinho seguia por detrás, na penumbra. fez cara de choro. será que eu fazia essa cara? ou era menos infeliz? tão livres.

inconveniência alheia: não somos obrigados

eu tava com a camisa suja de pasta de dente, e não sei se alguém mais além de mim reparou nesse pequeno defeito. eu diria "tive problemas me arrumando, não tinha roupas, tava atrasado e me sujei enquanto limpava os dentes". eu enchi a cara também, mas não que eu já não quisesse fazer isso antes. né, eu já pretendia. só aprofundei a vontade. momento desabafo: naquelas luzinhas, naquele calor infernal que já fazia na rua e que era prenuncio da sauna lotada em que me meteria, eu fui vítima. vítima da inconveniência alheia. juro que achei desnecessário. ainda fico sem entender. da última vez vi de relance enquanto lia o livro da menina com câncer terminal cujo namorado lindo amputado tem uma recidiva do câncer e pasmem! bate as botas e o livro termina logo depois com a menina vivinha da silva mas ainda cancerosa e então eu vi de relance e fiquei meio tremido e dessa vez eu fiquei muito tremido. mas quer saber: foudac o pior é quando a inconveniência lhe bate à porta.

inteligente-burro

coisas que só são pensadas quando se sai de um banho a uma hora da manhã: existem pessoas inteligentes-burras e pessoas burras-inteligentes. acho que to na segunda categoria. aquela coisa da autossabotagem, sabe. de fazer as escolhas erradas. de querer as escolhas erradas. de levar o erro até nao dar mais. esse é meu mundo, esse é meu clube.

my thoughts on

a gente finge que não sabe e faz-de-conta aqui rapidinho, no meio das conversas de ônibus: my thoughts on n. n(thng) é mais que qualquer outra letra do alfabeto: serve para significar o infinito, qualquer coisa, mais que x ou y e uma de suas equações, e o nada. e alguns infinitos são maiores que outros. me pego pensando em escrever sobre algo, sobre um livro na verdade, e sempre vem essa ideia na cabeça: será forma de encerrar por completo? será que só acaba quando isso acontecer? não, só acaba quando eu quiser que acabe. ou ao menos eu espero que seja assim.