O que somos está para além do que estamos. Assim como não
mais chamamos rio, a água que de lá foi tirada para o plantio ou desembocou no
mar. Mas o que estamos retroalimenta o que somos, assim como aquela água
retirada do rio ainda evaporará e algum dia poderá a ele retornar.
Como, no entanto, distinguir? Ou melhor, como mensurar o
grau de pertencimento? Seria possível? Seria essa a questão?
O tempo nos auxilia a perceber não durações, términos,
recomeços... Mas extensões. Auxilia-nos a notar a extensão existencial do que
nos compõem e compõem o mundo. E, se tivermos a sensibilidade para interpretar
as transmutações, resignificâncias e interdependências, talvez possamos
compreender o manto da existência que se desdobra a partir e diante de nós.
E que o rio é água e que a água é rio... Correndo por aquele
manancial. Correndo por um contorno, por uma de tantas veias do mundo. Você e
eu somos veias, somos meios, mas somos o que somos sem entremeios no grande
fluxo da vida.
Cada pessoa é o que é. Para se transformar no que deseja ser, não é necessária a perda da essência.
ResponderExcluirDeixa fluir. Como o rio que vai dar no mar.
Abraços.