deitado de bruços, sinto minha saúde cada vez mais tornando-se frágil, a ponto de rasgar a pele que recobre meu tórax, fazendo aparecer as costelas, os músculos e, ali dentro, meus pulmões, meu coração. a chuva cai sobre toda a casa, batendo incessante nas telhas de amianto, escorrendo pelas escadas, alagando o portão. respiro normalmente, mas também acredito que faço uma força exagerada para manter-me assim. nas minhas fantasias, um homem me propõe e me salva desse martírio que é ter de ficar deitado de bruços ouvindo a chuva lá fora cair, um tédio que me assola sem possibilidade de escape, tal qual uma cidade sitiada por um exército monstruoso e sanguinário nada tem a fazer a não ser esperar por alguma intervenção divina poderosa a seu favor. eu, contudo, também sei que essa fantasia não é nenhuma profecia, nenhum oráculo proferiu palavras nesse sentido; busco na minha memória, então, formas de sacralizar os desencontros da vida. de olhos fechados, um leve gingado desconcertado,...
Se apaixonar não faz mal à saúde, mas ser escravo desse sentimento faz.
ResponderExcluirCheiro de grama faz mal mas dá uma sensação de viver enorme.
Acho que será sempre assim: tudo que nos faz mais vivos tem o maior poder para nos matar.
na verdade, eu gosto de cheiro de grama... gosto de me apaixonar também.
Excluiradoro cheiro de grama cortada.
ResponderExcluiradoro chegar no fundão às 7:30 da manhã e sentir o cheiro da grama sendo cortada <3
foi exatamente lá que senti
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