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Mostrando postagens de julho, 2012

vida de novela

um dia azul um céu azul aquela dorzinha na cabeça enquanto ando pela cidade minha cabeça é tipo um pêndulo forçando o corpo pra frente e pra trás cabeça cheia e vazia de nada: da pior sensação do mundo chega a noite o vento frio chega o verão o calor chega o inverno de novo tudo igual tudo na mesma nessa cidade azul nesse céu azul forget it ninguém aguenta gente triste e deprimida nem mesmo em novela por isso os vilões fazem sucesso

Leia com atenção bbk

o que é pior eu não sei, se é ter e bexiga cheia e vontade de se mijar nas calças ou ter de encarar o rosto daquela velha árvore ou daquela lua daquela luz daquele poste e perambular pela cidade afora como um Zé-ninguém Grande verdade da vida jogada em minha cara quando chego àquela curva e percebo todas as mesmas constatações de sempre como se o mundo não fosse acabar em dezembro ou quem sabe só acabe o ano mesmo agora falta sentido e vontade os lábios já ressequidos de tanto pensar sobre o que falar que nem uma jarra nem o Saara virando floresta equatorial resolveria a secura da alma da mente E enquanto enquando de quando em quando alguém algum bocó melindroso feito eu passa essas mesmas angustias cujas origens tem raiz em outras vidas tudo questão de carma MALDITO sentido: trabalhamos.

árvores chorosas

naquele porrilhão de coisas que acontecem entre um cerveja e uma dose de tequila, sempre ficam as lágrimas e as tentativas de conforto: tudo desnecessário, e necessário ao mesmo tempo. o grande paradoxo da vida. olhar aquela árvore e lembrar da lua de outro lugar, mas lembrar também daquela árvore, e pensar como a gente é bobo de se guardar de alguns medos, e eu ainda quero dar um abraço naquela árvore com mais quatro pessoas.

dança das cadeiras.

Ciranda, cirandinha, Vamos todos cirandar! Vamos dar a meia volta, Volta e meia vamos dar. e é isso aí né, cada hora é uma coisa meio besta. hoje tá parecendo segunda de novo. mentira: ontem tive uma dinâmica e eu juro que não entendo aquelas pessoas. todas falando sobre ir a moçambique, ajudar pobres em maurício, catar lixo, morar em londres. enfim, eu só estudo árabe de diferente. O Anel que tu me destes Era vidro e se quebrou; O amor que tu me tinhas Era pouco e se acabou, acabou mesmo né: mais um momento deprê?? será será?, af.  Por isso caio cesar Entre dentro desta roda, Diga um verso bem bonito, Diga adeus e vá se embora.

detergente

cérebro-esponja, será que se eu deixar ao sol ele murcha e seca e me livro desse excesso de pensamentos? cérebro-charco inundado de pensamentos

a fraqueza de ser forte.

vem aquele nó na garganta, antes eu estivesse naquela saleta, os olhos acelerados pulando dos olhos da analista para a maçaneta e então para a colcha de patchwork ou o gato que dava voltas no telhado e que em determinado momento pareceu ficar me fitando sabendo que eu gastava o nosso tempo naquela sala: o meu, o da analista e o dele, gato. talvez aquele gato sempre vá lá pra meu ouvir e soubesse que estava uma merda. eu via cara de reprovação deles. mas nao: o nó veio, o que, tarde na noite? o homem pergunta "por que você pensa que está aqui" eu digo "eu tenho ideia nenhuma" canta a voz da amy, isso me soa familiar? nao que eu tenha ido para a rehab, só se for rehab de pensamentos... mas nem isso. eu não preciso de amigos, talvez de álcool. essa secura na boa essa coceira na pele esse suor escorrendo mas talvez nao esteja calor, eu penso. esse copo esse meio litro dágua talvez nao sejam boa ideia, talvez nao tenham sido. esse sentimento esse ardor esse frio ao m...

num piscar os olhos

correria, movimentos musculosos, músculos músculos roupa fina e aplausos piscadela isso engana alguma coisa? treme treme as perninhas tremem muito brilho, brilho das luzes do batom dela, dos seus olhos, agora fumaça, estamos ali perdidos rodopiando piando feito passarinhos, fumaça passa de mim pra você você pra mim alguém varre o chão a música que toca não faz diferença e essa eterna brincadeira de tentar e não conseguir e às vezes eu penso.

sensações ruins numa loja de departamento

uma das piores sensações do mundo é aquela de pernas fracas prestes a falhar e fazer com que você tropece feio na frente de muita gente. um dos motivos que pode causar isso é quando você se apaixona, no caso, as pernas tremidas são fatores secundários das borboletas no estômago. outro é quando você tá com medo. mas a melhor de todas é quando você experimenta uma calça skinny na zara e então suas pernas parecem embaladas à vácuo, ou meias para o pós-operatório de varizes. fazer o que.

no banco detrás dos carros.

às vezes quase sempre eu me sinto meio infantil, principalmente quando estou sentado no banco detrás do carro, só faltava a cadeirinha. as pessoas que sentam a frente nem se viram para falar, ou me olhar nos olhos, nem que seja por meio do espelhinho que fica ali; elas jogam as palavras no ar, como se fossem donas da verdade e esperam que aceite tudo. pelo menos é o que parece quando revejo essas cenas na memória e me sinto infantil. posso até ouvir minha voz soando infantil aos ouvidos dos outros.

Querido Tom 57 (sexta-feira 13 fora de hora)

Querido Tom, a sexta-feira foi 13, mas punk mesmo foi a madrugada de sábado 14 para domingo 15: eu poderia dar nomes aos fantasmas e laranjas que resolveram aparecer, mas olha, seria chato. não que seria exatamente chato, mas é que não costumo dar nome aos burros por aqui mesmo. e isso, assim, gente, cês quererm matar do coração um pobre velhinho BRINQUES, mas olha, fica chato assim né, esse tal de lembrar das coisas, pelo menos algumas, apesar de constrangedoras, são engraçadas e comemoram aniversário de um ano exatamente (ou mais de uma delas, e confesso que de engraçado só um dos aniversários foi). enfim que não tenho entendido muito do mundo ultimamente mas é melhor assim mesmo, certo? é tanta abstração que estou abstraindo tudo. na verdade, to deixando passar mesmo, os pensamentos passam em porrilhões, em montões feito estrelas que não se pode contar no seu cuja luz viaja numa velocidade que quando se pisca tudo está iluminado. ou antes de piscar mesmo, e se você piscar perd...

sobre perceber quando as coisas estalam

você conhece alguém e é isso, basicamente, até que CLEQUE tudo muda, de repente não é apenas isso basicamente é outra coisa diferente demais. acontece com alguém que de repente vira seu amigo, eu não consigo precisar quando eu estava contando já minhas intimidades, minhas vontades. POF você não tem segredos, omissões, defesas, quando aconteceu. o pãozinho tá lá, branquinho, passo manteiga e coloco queijo, ligo a chapa, deixo o pão lá, quando foi que PFFF o pão torrou. e entre um estalo e outro a gente perde tempo pensando.

número de protocolo da memória

eu olhei aquele papelzinho que tinha 189 escrito rolar para lá e para cá no chão do ônibus e eventualmente ser pisado pelos passantes da roleta, e acabei lembrando daquela minha numeração de anos atrás, 176, eu acho, que não deu em nada, que terminou com um dar de ombros qualquer numa estação que poderia ser em qualquer lugar do mundo, mas era a estação de botafogo. um dar de ombros logo após um olhar fuzilante, ou seria esfuziante?? o resultado foram borboletas no estômago, uma revoada, ou uma pancada, uma dinamitada no estômago. e é sinceridade demais dizer que não senti isso de novo.

cantigas de domingo

"à merda com seus mandamentos" eu deveria ter dito, mas eram mandamentos mesmo?? ontem eu vi um filme e cantei s'essa rua s'essa rua fosse minha eu mandava, eu mandava ladrilhar com pedrinhas, com pedrinhas de brilhantes só pr'o meu, só pr'o meu amor passar nessa rua, nessa rua tem um bosque que se chama, que se chama solidão dentro dele, dentro dele mora um anjo que roubou, que roubou meu coração s'eu roubei, s'eu roubei seu coração foi porquê, só porque te quero bem tu roubaste, tu roubaste o meu também s'eu roubei, s'eu roubei teu coração e então eu cantei isso junto com uma senhorinha bem grandona, grega, com aqueles dentes gregos bem característicos, mas filha de turco (eles são parecidos ao menos??) e ela chorava e me veio um nó na garganta, mas não chorei, e também veio quando vi aquela outra senhorinha contando de quando sonhou com o anjo mas eu não sei, essa era a senhorinha de verdade, quando contaram da segunda vez e...

lua cheia

trocaram a lâmpada aqui do poste em frente, mas ainda consigo ver as estrelas. esse mundo tem jeito, josé, ainda tem jeito... p.s. a lua cheia banha meu quarto

privacidade

um dia a porta teve chave e a chave teve porta, mas de tanto o vento fechar a porta com violência, ou de tanto descontarem a raiva na porta, elas se separaram, a chave se perdeu, nunca mais foi achada. daí meu quarto ficou sem chave, e eu meio que fiquei pelado, desprovido de proteção. é aquilo né, não posso trancar a porta. mas por que trancaria se a janela não tem cortinas e dá pra meio mundo ver qualquer coisa anyways? privacidade é ter a chave da porta. privacidade é ter janelas fechadas. um dia a chave teve porta e a janela teve cortina.

bater as botas

o ministério da agricultura adverte que cheiro de grama cortada faz mal à saúde, eu digo que se apaixonar faz pior: é como aquele enfermo que tem súbita melhora, levanta do leito, dança, faz estripulias por toda a parte e, então, não mais que de repente, bate a caçoleta ou caçuleta, tanto faz, no final termina-se comendo grama pela raiz, e aí são duas ruindades: apaixonar-se e comer grama pela raiz, tão ruim quanto cheiro de grama, o ministério devia advertir isso também.

cadê minha tevelisão

pior de tudo é que não posso nem ligar a tevelisão para disfarçar esse silêncio, nem coragem tenho para discar seu número, sei lá qual é mesmo. o silêncio me arrasa, mas eu caio feito bobo quando ando olhando esse céu azul que me deprime, quando vejo essa lua cheia quando tou sentado sozinho encostado num poste qualquer, numa calçada qualquer de uma esquina qualquer. e daí é só lembrar e lembrar e então cair nesse eterno jogo: hoje disfarço essa tristeza toda com fome vespertina e noturna. melhor que não comer, veja bem, meu bem. mas whatever , morreremos todos. antes estivesse cansado e não visse nada. às vezes me acontece isso. não vejo as pessoas, e elas não se importam de me falarem. deixa pra lá, triste, luto, um dia passa, um dia termina, um dia tenho minha tevê de volta.