jornal da manhã
foi meio como aquele dia em que eu abria o portão de madrugada e alguém correu. e meu coração gelou. sabe, é natural ter medo dessas coisas, mas que bosta, né? o coração gelar, eu digo. ou então bater superacelerado, uma taquicardia talvez. fazem muitos tempos que não sinto borboletas no estômago.
eu diria que fazem anos, mas talvez tenha uma borboleta nesse momento no meu quarto. uma borboleta branca na parede verde-sálvia. será que devo ter esperanças? é isso que significam borboletas brancas sobre paredes verde-sálvia? talvez a borboleta esteja esperando eu dormir de boca aberta para então ir sacudir meu estômago... mal sabe ela que não durmo de boca aberta.
ou será que ela saiu num bocejo sonolento que dei à noite passada? será que me livrei disso? pretty sure not... mas então, aquilo mesmo, sobre o coração bater de mais, como é mesmo? ou de menos, tanto faz, tanto fez, não é? acho que os dois casos dão em morte. coisa banal, pode ser o fim da vida, pode ser a gota d'água. ou pode ser uma nova vida. ou uma nova gota, porque uma gota puxa a outra e então elas fazem uma corrente d'água... quem dera fosse assim, ou não: seria uma borboleta saindo do estômago atrás da outra. ou pior: entrando.
e então, no dia que alguém correu e meu coração gelou; eu não corri, eu não podia correr. mas no final, era só o entregador de jornais.
uma maravilha apreciar o teu texto como 1a leitura nessa manhã de feriado.
ResponderExcluirabraço :)