metal no microondas

a canseira de me repetir falando que hoje não acordei bem: hoje apenas não acordei, meu corpo ainda parece deitado naquela cama, carregando toda a tristeza com que despertei às 6 da manhã, mas que me manteve preso aos lençóis até as 10. os sonhos, em vez de me inspirarem uma mudança, quiçá um entretenimento noturno, trazem-me mais angústias, porque não está na minha alçada interpretá-los, saíram, fugiram ao controle.

as ruas estavam cheias, antes estivessem vazias, eu poderia ter chorado no ponto de ônibus, eu não teria levados sustos e sobressaltos; o calor, esse delírio calorento, essa cidade fétida, esse corpo que carrega a alma, anima, ânimo, que se mistura e, apesar dos perfumes, eu cheiro ao lixo do caminhão que passou por mim ou à cerveja que eu não derramei em minha roupa ontem. roupa essa que parece ridiculamente vestida em mim

eu me olhei no espelho hoje, fazia uma semana desde a última vez? não sei, sei lá, eu continuo me respondendo isso, continuo incoerente, e isso me preocupa agora, pois não é a mesma situação de duas semanas atrás. agora todos podem ser incoerentes, ou devem, menos eu; e que eu vi através do espelho: eu me vi - pele e osso, osso e pele, pelos. tudo da pior categoria, já não sinto mais fome.

e ainda por cima, eu deixo um horóscopo qualquer ditar meus rumos. eu busco meu destino.

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