Daí que o passado insiste em bater à porta? Na pior das hipóteses, e na melhor também, vale uma interpretação dos sonhos, porque, afinal, não são eles o motor da vida?
faz tempo que não venho aqui nesse lugar; lembrei de l. me sugerindo que escrevesse, mas isso já faz tanto tempo, talvez dois anos. fiquei esse tempo todo sem vir aqui. mais de dois anos. inimaginável algum tempo atrás, mas o que a internet se tornou? esse espaço que trazia para perto tanta coisa, e agora é simplesmente uma prisão de atenção. queria estar offline, mas cá estou tentando trazer alguma ordem à mente. também buscando retomar uma prática e não viram completamente um tecnoburocrata , precisamos mesmo exercitar a mente para os assuntos além do trabalho e da internet-prisão . (algo me diz que isto não será lido, o que me traz certo conforto) as últimas vezes que estive aqui acredito eu que estava apaixonado. talvez ainda esteja, mas acredito que não mais, em vista da apatia que me envolve. pensando em "antes do amanhecer" e me deu quase uma saudade de me apaixonar. seria uma diversão nova em contraponto às últimas interações romântico-sexuais em...
deitado de bruços, sinto minha saúde cada vez mais tornando-se frágil, a ponto de rasgar a pele que recobre meu tórax, fazendo aparecer as costelas, os músculos e, ali dentro, meus pulmões, meu coração. a chuva cai sobre toda a casa, batendo incessante nas telhas de amianto, escorrendo pelas escadas, alagando o portão. respiro normalmente, mas também acredito que faço uma força exagerada para manter-me assim. nas minhas fantasias, um homem me propõe e me salva desse martírio que é ter de ficar deitado de bruços ouvindo a chuva lá fora cair, um tédio que me assola sem possibilidade de escape, tal qual uma cidade sitiada por um exército monstruoso e sanguinário nada tem a fazer a não ser esperar por alguma intervenção divina poderosa a seu favor. eu, contudo, também sei que essa fantasia não é nenhuma profecia, nenhum oráculo proferiu palavras nesse sentido; busco na minha memória, então, formas de sacralizar os desencontros da vida. de olhos fechados, um leve gingado desconcertado,...
vesti minha camisa de seda verde floresta e saí do quarto. levava comigo o necessário para ir embora sem precisar voltar, se fosse o caso, até mesmo deixaria aquela roupa para lá. andei pela lapa, do bairro de fátima ao catete, o sol esquentava e a seda, apesar de leve, me fazia suar. passei no salão e marquei um horário. retornei a rua, caminhava sem rumo. pensei em comprar um livro. desisti. tinha comigo uma caneta, decidi então por comprar um cartão com a palavra SORTE em garrafais. sentei para um café, escrevi: nunca foi SORTE sempre foi chorei desnecessariamente. jamais enviei ou entreguei aquele cartão. reescrevi algumas vezes. colei as duas páginas e reescrevi no verso. não o enviei, mesmo assim. voltei ao salão, os olhos vermelhos de choro. disfarcei, como sempre, disfarcei muito bem e segui com as miudezas e pequenezas da vida. retornei o caminho, cabelo cortado, o calor opressivo do rio de janeiro me fazia suar cada vez mais. subi a nossa senhora de f...
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