desaniversário

Eu saí andando pela cidade afora, pelo mundo que não tem mais fim; eram que horas, sei lá, não fazia diferença? Não, não fazia; eu estava sozinho naquele momento, vaguei a esmo, perdido, feito errante, feito um mutante sozinho na multidão.

É gritante o modo como os outros deviam me olhar: ali, roupa suja, fedida de sexo, dorgas e roquenrou e sabe-se-lá-mais-o-quê, jogado num banco qualquer, espremido para que se coubesse outra pessoa, a cabeça contra a parede. A boca aberta. Ninguém saberia se fosse meu aniversário, ou mesmo se fosse minha demissão. Demissão da vida, claro.

E daí que eu rodo e rodo e gente, já passei por aqui??? Não vou ceder meu lugar, não senhora, estou sonhando, muito obrigado, me deixe em paz, leave me alone, sua sem-noção, vá pastar em outra vizinhança.

E assim começa meu dia?

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