do afogamento

eu estou ali naquela igreja, a da candelária, ou seria a da sé? o padre reza uma missa num português arrastado, quase parece latim, ou mesmo que seja latim. eu olho os afrescos, aqueles anjos todos, aquela coisa triste, talvez meio fúnebre, eu me deparo com a pia batismal e meu reflexo nela; o que eu vejo é repugnante, eu olho e procuro ao redor e não me imagino de noivo, vestido de noivo e de noiva, o padre agora fala em português claro "o noivo, por favor, o noivo O NOIVO" ele já berra, "OS FILHOS, OS FILHOS, O PAI, O ESPÍRITO SANTO" amém, eu corro, corro para fora da igreja, corro por entre os carros na rua, corro pela praça, esbarro em pessoas, mas quem se importa?, eu não choro, não soluço; eu corro até não sentir minhas pernas, eu pulo, eu me jogo no mar, e me afogo em detritos.

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