do silêncio, dos sorrisos e dos bilhetes (des)premiados.
Outro dia eu pensei seriamente em atravessar a rua com o sinal aberto, sabe, e não teria sido a primeira vez. Pensei que eu teria medo, medo de pensar isso, mas até a esse ponto eu já cheguei. Outro dia eu recomendei Virginia Woolf para alguém triste, e logo depois desrecomendar (acho que eu preferiria derrecomendar) porque ela apenas se suicidou num rio com uma pedra amarrada a si mesma.
Eu não sei porque eu estou falando isso, mas a verdade é que eu poderia ter morrido qualquer dia desses, por motivos banais. Mas não queremos falar de mortes, sim, claro, porque isso é mórbido; mais interessante é falar que eu poderia me apaixonar, porque na verdade isso é o mesmo que morrer, morrer de amores, e por algo que não se conhece, apenas. Os seus sorrisos, naturalmente, já os conheço. Sorrisos de algoz, tão lindos, tão ferozes.
Daí que eu sou uma pessoa cagada brilhante, para não dizer o contrário, e também muito confiante e cheia de moral e de amor-próprio, e eu sempre escrevi, para mim, e depois para os outros. Na verdade, eu passei a escrever não-sei-quando, deve ter sido por volta do ano 2009. E passei a escrever quando recebi aquele bilhetinho na rua, acho tão original isso de bilhetinhos, traz um frescor às vidas sem graça que se terminam todos os dias por aí ao redor, na vizinhança.
Mas esse mundo cruel: reza a lenda que apenas o terceiro bilhetinho é auspicioso, certeiro, sucesso infalível. Eu tenho medo do terceiro bilhete, porque acho que ele nunca chegará. Eu tenho medo de morrer de amor por algo que não existe. Ou de terminar feito tal qual a menina do amante chinês, sem seu amante chinês, num lugar distante de tudo e de todos: minha mente.
Eu tenho medo do silêncio.
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