A sorte na borra do café.

Aí que eu entornei café. Café nas minhas roupas, o que me deixa muito enraivecido.. Enraivecido simplesmente porque estou com a camisa branca borrada de café, e exalo café agora mesmo.

Eu podia pular da janela agora mesmo. Isso pelo menos me pouparia de enfrentar essa maluquice toda, essas discussões inúteis, completamente inúteis, que só servem para tornar o mundo mais ininteligível e menos passível de mudanças, o que seria exatamente o contrário do que propõem.

Ela agora se debruça e sente o cheiro de café. Pode deixá-la tão irritada quanto me deixa, não fosse o fato de ela estar tão ocupada no que os outros falam, e não em mim e no que escrevo ou no meu cheiro de café.

Agora já acho que tenho sabor de café. Alguém poderia me experimentar agora, de fato, mais do em quaisquer um dos momentos em que eu disse "try me", em uma ou outra situação. E não foram poucas. E não foram no sentido figurado, de testar, mas realmente de experimentar, me experimentar, de ter uma experiência comigo. E como sempre, ninguém vai obedecer às minhas ordens, foram todas fracassadas.

Logo, logo eu estaria lá. Talvez eu reunisse coragem suficiente, para adentrar aquela sala e falar e falar. E falar "try me". 

Logo hoje eu entornaria café em minha roupa.

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