Os nervos.
A minha cama range. Lá fora as folhas farfalham, e isso talvez seja um pleonasmo, mas há um farfalhar de folhas. O vento sopra, gelado, e as folhas rodopiam e farfalham.
Um latido. No rádio, Vanessa da Mata entoa algum cântico africano, ou brasileiro mesmo. Emapariê, ciranda, que beleza, que beleza.
A minha cama range novamente. Ela range comigo, todas as noites. Não sei como não acordo com os rangidos. Ela nunca range sob dois, e talvez nunca rangerá.
Eu levanto e piso no taco frio. Sempre gostei dos tacos, eles ficam menos gelado que o mármore e os azuleijos da cozinha e do banheiro, de que eu também gosto. Sempre terei tacos em minha casa, e mármores e azuleijos.
A porta do armário range. A porta do quarto range. Acho que eu ranjo, por mais feio que isso possa parecer. Penso em quando isso cessará, esses rangidos intermináveis.
O farfalhar, essa madrugada, pelo menos, não cessará. Esse cão latindo também não. Faço a cama ranger novamente. Eu sozinho. No meu quarto.
A luz está acesa, e há gente em casa. Todos dormem. Um quarto está vazio e permanecerá assim até a próxima noite. Ninguém acorda com meus rangidos.
Faz frio e a minha cama range.
E tudo vai dando nos nervos.
Gostei, mas cortaria a última frase. Acho que ficaria mais poético.
ResponderExcluireu adicionei de última hora. só para completar a referência pop que eu fiz e que só eu entenderia, por se tratar de vanessa da mata
ResponderExcluirA referência é Baú, e o texto é lindo, tão quanto Vanessa.
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