A cama-maca.

Costumamos adotar algumas datas simbólicas como o dia em tudo começou, como 1789 para o início da era contemporânea, e por aí vai. Eu só sei que naquela sexta-feira, meio nublada, em que começaram os Jogos Olímpicos de Atenas, em que eu via a oliveira brotar no meio do estádio, exatamente naquele dia, minha vó adoeceu.

O desenrolar da situação foi bastante rápido - digamos que a situação degringolou. Num determinado dia, no Ano-Novo, eu pensei que seria ali. Devem ter queimado o colchão depois daquilo. Foi aí que chegou a maca. E a enfermeira.

Passei a dormir com a minha irmã. Passava 'hoje é dia de maria". Eu tive vontade de assistir "hoje é dia de maria" novamente. Não que eu realmente tivesse assistido a isso da primeira vez, nem da segunda. Eram tempos tensos. Mas aquilo trazia alguma esperança.

Algum dia, minha vó comeu aletria. Eu não gosto de aletria.

Depois, num dia ensolarado, a maca amanheceu vazia. Eu me pergunto se a Lúcia já sabia. Devia saber, suponho; ela pediu que eu e minha irmã fôssemos comprar batatas. Que frivolidade. Fazia muito sol naquele dia.

Eu entrei em casa feliz, e passei direto por minhas tias. Aí eu escutei o grito dela.

E a maca foi desmontada depois.

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