Qual sua sua concepção de Caio. (?) (!)
Eu não me importaria, sinceramente. Sinceramente, eu não me importaria. Qual a diferença? Faz alguma diferença? Eu queria poder gostar de alguém, melhor, eu gostaria de me envolver a longo prazo com alguém, ou pior, eu gostaria de voltar no tempo.
Não voltar para logo ali; tudo bem que voltar para ontem talvez fosse legal e eu levantaria da mesa mais rápido, falaria com alguém que talvez seja interessante, não perderia a aula de Direito Internacional Privado para estudar para a prova de Comércio Exterior que seria logo, logo adiada. Eu queria voltar lá no passado Mais-Que-Perfeito, para fazer tudo de novo. Tudo igualzinho. Ter as mesmas sensações.
A verdade é que eu nunca me acostumei a tudo que me aconteceu, e ao nada que eu deixei de fazer. E voltar talvez ajudasse, só para ter o prazer de ressentir o prazer de ler a Câmera Secreta pela primeira vez em um mês de fevereiro chuvoso, e ao terminar, ter a impressão de que a história nem foi tão legal. Ou ainda, de revisitar todos aqueles lugares, aquelas praias, aqueles parques, com a mente de criança ainda, mas já se achando tão adulto.
Chego a conclusão, cada vez mais, de que não sei de nada. Sei menos hoje do que sabia aos meus 10 anos. Naquela época, eu ainda tinha minha vó, e como era sensacional. Não que minha ideia original fosse escrever sobre ela, mas posso dedicar aqui algumas linhas. Agora eu me lembro, ainda me lembro, de como era: a voz levemente rouca, os olhos azuis. Adorava ver novelas, coisa que eu acho sensacional e gosto também, talvez por causa dela.
Minha vó, minha vó Olga, como nos referíamos eu e minha irmã quando falávamos um com o outro (lembro de brigarmos séculos sobre ela ser "minha vó!") era uma pessoa sensacional, extraordinária. Coisa que só se conhece uma assim na vida toda. Na verdade, na minha infância, eu conheci pessoas sensacionais, que nunca mais verei, verei por mais um pouco tempo, sempre pessoas. É isso, pessoas.
Isso me leva a lembrar de outras pessoas no rol das que não verei mais. Pessoas com quem eu cresci junto, uma delas que não verei nunca mais, e outras que talvez eu não veja nunca mais. O engraçado aqui, é que ao pensar nisso, volto ao ponto que eu queria tratar. A pessoa que eu não verei jamais era sensacional, no estilo "viva hoje como se não houvesse amanhã". Eu me lembro de uma frase, que me foi dita pela última vez por ele quando eu tinha uns 14 anos, mais ou menos parecida com "O Caio é pessoa mais inteligente que eu já conheci".
Eu agora digo que não sou, nem era. Talvez nem para pessoas da minha idade. Eu era uma criança bem estúpida, para ser sincero. E é esse ponto inicial que eu queria tratar. Qual a imagem que as outras pessoas tem de mim. Eu não faço a menor ideia, e sempre foi o que mais me preocupou e me causou curiosidade. Sempre me achei estúpido, e feio, e particularmente, acho ainda. Sou tão estúpido que estou aqui escrevendo isso.
Não é uma forma de atrair compaixão, caso alguém ainda leia isso aqui, o que pode parecer ainda mais auto-pena depois dessa frase. Mas é que eu só precisava saber isso. Eu só precisava saber o que se passa na mente dos outros sobre mim, não exatamente tudo, mas qual a imagem que se forma quando me veem, qual a ideia que tem de mim. Acho que não é pedir demais.
Sou tão patético que queria agora mesmo apagar tudo isso, mas não vou fazer. E tão patético que termino assim meu texto.
A voz desse texto não é a que eu ouço quando você fala.
ResponderExcluirMais de um Caio, então? será?
ResponderExcluirA hora em que você que quiser, então, pode me perguntar. Estou à disposição, se a minha opinião ainda for relevante. (:
ResponderExcluirpartiu feroz.
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