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Mostrando postagens de maio, 2011

Fã-clube da esquina.

O portão se abriu para mim, logo depois daquele voz cessar no alto-falante. Eu desci a pequena ladeira; era uma casa grande, senhorial quase, e tinha muitos aposentos. Isso me faz lembrar que 'aposento' é uma palavra genial e aconchegante; quem dera meu quarto fosse um aposento, e tivesse uma poltrona de chenile, com braços, onde eu pudesse me jogar, e quem sabe, dormir numa noite de frio, debaixo de cobertas. Mas o caso era que eu descia a ladeira que permitia o acesso à área externa daquela casa. Acho que todos já estavam lá, e todos me esperavam. Como sempre. Ou como nunca, já que ninguém nunca me espera, nem tem paciência para tanto. Eu só desci, sem vento na cara, sem cabelos ao vento, sem correr e abraçar alguém. Talvez eu ainda estivesse em meus 08 anos nessa época. Lá embaixo, alguém importante chegou, carregando um molho de chaves. Acompanhamos, vimos a chave encaixar no buraco, girar, e a porta simplesmente abrir. Vimos também chegarem panos e vassouras, prod...

O bidê de louça preta.

Seguindo o exemplo da coleguinha, penso agora em como formei meu caráter. Ultimamente, tenho pensado que não tenho caráter. Mas caráter, o que é caráter? Penso em caráter como algo esquisito, e só me lembro de quando me tornei gente, isso é bastante usual na minha fala, na minha pregação. Até certo ponto da minha vida, havia um barco bastante grande no meu quintal. Aqueles eram tempos lindos, o Capitão era um cão muito agradável,  a gente corria pelo quintal e pelo jardim, e era tudo assim, poft, azul e feliz. A cozinha tinha a porta em outra lugar, eu caí e derramei iogurte na mosca, o jardim tinha a plantinha das sementes vermelhas venenosas, e eu tinha uma coleção de carrinhos. E o banheiro tinha o vaso preso, com sua tampa preta, e um bidê preto. Um bidê de louça preta. E eu lembro de passar horas a fio sentado no bidê, pensando, ou pensando. Eu sinto falta daquele bidê agora; penso que bidês são úteis, mas se tornaram raros.  Parte do meu pensamento, infantil...

Qual sua sua concepção de Caio. (?) (!)

Eu não me importaria, sinceramente. Sinceramente, eu não me importaria. Qual a diferença? Faz alguma diferença? Eu queria poder gostar de alguém, melhor, eu gostaria de me envolver a longo prazo com alguém, ou pior, eu gostaria de voltar no tempo. Não voltar para logo ali; tudo bem que voltar para ontem talvez fosse legal e eu levantaria da mesa mais rápido, falaria com alguém que talvez seja interessante, não perderia a aula de Direito Internacional Privado para estudar para a prova de Comércio Exterior que seria logo, logo adiada. Eu queria voltar lá no passado Mais-Que-Perfeito, para fazer tudo de novo. Tudo igualzinho. Ter as mesmas sensações. A verdade é que eu nunca me acostumei a tudo que me aconteceu, e ao nada que eu deixei de fazer. E voltar talvez ajudasse, só para ter o prazer de ressentir o prazer de ler a Câmera Secreta pela primeira vez em um mês de fevereiro chuvoso, e ao terminar, ter a impressão de que a história nem foi tão legal. Ou ainda, de revisitar todo...