Na minha encruzilhada.

E então eu acordei, e olhei o céu estrelado, novamente, tal qual eu faço antes de colocar a chave no cadeado do portão de ferro antes de adentrar o meu jardim secreto. Eu podia ver todas as estrelas, todas as minhas estrelas, que tinham seus nomes na minha própria linguagem, estrelas.

Mas eu não estava às portas de minha casa, não estava prestes a colocar a chave no cadeado. Estava ali, entre múltiplas possibilidades, na minha encruzilhada, que, afinal, era que nem minha casa, era minha encruzilhada. O que fazer dali em diante? Esboçar um sorriso? Parecia sensato, ao mesmo tempo, que sim e que não.

Eu esbocei o sorriso, diante de todas possobolidades que se desvendavam à frente de meus olhos; eu poderia voltar, certamente que sim, mas isso não era interessante. E eu falo todas as possibilidades, mas quando se descarta essa, não me sobrava muita coisa, além de uma só: seguir em frente até a bifurcação.

E a minha bifurcação estava logo ali, junto a minha encruzilhada, que nem era um encruzilhada, no final. Eu só precisava escolher, e na falta da escolha, a divisão me acompanha, como se eu não saísse do lugar. Eu posso ver ali a Lebre de Março tomar seu chá, enquanto aguarda pelo Carnaval. E esboço outro sorriso, e agora já estou novamente naquele lugar mal-iluminado e cheio de gentes de todas as espécies, mas meu sorriso agora pode ser resposta a outro sorriso.

E eu definitivamente não vou voltar.

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