Ser ou não ser, e porque pintar as paredes.
Tic-tac, e eu não consigo estudar. Não acontece nada de interessante nessa vida, se acontecesse. Acontece sim, se acontece. Tantas que até perdi a conta.
Contos os dias para me perder no mar de pensamento em que se tornará minha mente, se conto. Já não tenho certeza se já não se inundou, e eu aqui, sem reparar nisso porque estou me afogando nesses pensamentos inúteis e afáveis, sujos e interessantes, e em sua maioria, desconexos e desinteressantes, incoerentes e congruentes, e por fim, musicalescos.
Pensando bem, a minha cabeça gira, eu acho. E meu pescoço está um pouco para a frente, envergando sob a tonelada de imagens e palavras que perpassam tudo aqui. O barulho do ar-condionado já não é consolo, e seria interessante regar a cabeça agora. Quem sabe não é falta d'água?, penso eu logo depois de olhar as plantas esturricadas em seus vasos.
Se as paredes fossem azuis, ou verdes, talvez eu estivesse com mais vontade de estudar, ou de pensar menos em coisas úteis. Por exemplo, penso naquele dia de noite fria, em que demorei a passar os braços pelo casaco. Charmoso, se era charmoso, passar o casaco. Pelas costas, e se demorar, se demorar um pouquinho além da conta, cercar, ciscar, andar no meio fio, e ver o táxi passar, parar e varar madrugada afora.
Agora são cinco para as dezesseis horas, horário de Brasília, e estou desesperado. Mas não mudo minha ação de jeito maneira, e provavelmente tropeçarei nas escadas, ao correr para adentrar a sala, sem imponência alguma, sexyness.
E então, vem aquelas lembranças, como um fléchi-béqui em um filme qualquer. Fazem tempos que não acontecem, se acontecem. Os encontros, pois as lembranças são recorrentes, ou decorrentes. Qual caminho seguir? Tanto faz, quando não se sabe para onde ir, diriam os Gatos Sábios. O que fazer então, para onde seguir, o que falar, o que deixar de falar? Ser ou não ser, eis a questão, porque penso, logo existo, inexiste. Veja as plantas, pensam, não pensam, murmuram e só farfalham, e existem, até palpáveis, comestíveis, verdes e agridoces.
Paredes azuis me fariam bem.
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