Eu ouvia Cigarras.

Anormalidade está fora. A normalidade tomou-me de supetão; acho que, devido a isso, nem sei mais escrever o que me acontece todos os dias. Ou não sinto necessidade alguma de escrever o que me acontece.

Eu podia falar por exemplo que fiz quatro provas nas últimas duas semana, sem estudar. Sem estudar! E, bom, fui bem em uma delas, a única que recebi o resultado. Bastante bem. Por enquanto, só notas boas; soma-se aos dez em Árabe II. Humildade é para os fracos disse eu outro dia. Mas isso não importa.

Poderia dizer que meu dinheiro acabou antes do final desse mês, bem antes mesmo. Já entrei no cheque especial, talvez; e tenho só dinheiro para me locomover. Para me locomover a pé, né. Também, gastei tudo, tudinho. Mas isso não importa.

Eu lia o jornal, ainda há pouco da Universidade, e havia umas entrevistas com pessoas interessantes, três delas que eu conhecia de nome, tratando, cada uma a sua vez, o que pensava da Universidade. Falavam bem parecido, divergindo em alguns aspectos, enaltecendo alguma coisa, ou refutando outra. Pensei que a Universidade que eu quero talvez seja uma mistura da que eles querem. Mas isso não importa. 

Não importa, porque eu não quero me importar. A significância das coisas não precisa existir. Pelo menos, não agora. Não preciso pensar em nada além de pensar em nada, de como seria bom passar com excelentes notas, andar de ônibus,dormir, comer, ler, ouvir músicas, cantar Belle and Sebastian, cantar em árabe (afinal, é por isso que eu estudo árabe, para cantar), aprender albanês, estuda espanhol e italiano, e quem sabe, fazer uma récita ao piano. E também viajar, conhecer de Lisboa a Istambul, pela costa africana. logicamente. E o Levante, o Levante! Conhecer Petra e Amã, Damasco e Aleppo, e as ruínas de Palmira, Beirute, Sídon, Tiro, e Antioquia. 

E ainda tem gente que se preocupa, e tenta me deixar com os cabelos brancos. Tem gente que se faz de desinformado. Ó, vida cruel. Mas agora não, porque agora eu não me importo.

E ainda escrevi demais. Ainda vai sair Chiquinha do mato e Mariquinha da cachoeira, e o pau vai comer na casa de Noca.

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