Uma excelente piada

Há de se convir que não era das melhores noites de Dezembro; havia ameaça de chuva, e o vento estava frio. Mas mesmo assim, a festa estava de pé, e as preparações iam em vento e popa.

Já era de tarde quando, finalmente, resolveu se arrumar: pegou sua toalha de algodão-egípcio, 3.200 fios, sim senhor, uma senhora toalha. Diz-se que o algodão é plantado em uma pequena ilha no delta do Rio Nilo, e o algodão é colhido a mão por velhotas egípcias, da Igreja Copta, que entoam cânticos cada vez mais alto à medida que suas cestas se enchem daquela coisa felpuda e branca.

Trancou-se no banheiro. Como era ótimo estar ali, naquele banheiro, de mármore preto. Abriu as cinco torneiras da banheira, e separou os óleos, espumas, sais, tudo que se precisaria para um banho antes de uma festa. Colocou, na vitrola, Edith Piaf; mudou de ideia, e preferiu Tim Maia.

Terminado o banho, era hora de escolher o figurino. Abriu o seu armário, e escolheu seu melhor vestido; estava um pouco puído, e as traças foram-lhe retiradas com algumas passadas de mão. Telefonou para o rapaz, que do outro lado da linha, também escolhia seu melhor terno, e retirava, deste, as traças com as mãos. Estarei pronta em quinze minutos, Em quinze minutos, então, estarei em sua porta, disse o rapaz.

Preparavam-se os dois. Quinze minutos se passaram, e lá estava o carro. Ela desceu as escadas, recebeu os cumprimentos Olá, Olá, Vou abrir a porta, Oh, muito obrigada. Seguiram para o hotel onde seria o baile, o tal baile.

Dançaram, dançaram.

O carro parava novamente à porta verde, beijaram-se longamente, Vemo-nos novamente, então? Oh sim, com certeza, Tchau, Tchau.

Ela não soube, mas ele bateu o carro logo depois, ali na terceira rua.

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