Imperativo afirmativo.
Levantou a cabeça e então viu: andava, talvez à procura de alguma mesa disponível; girou os calcanhares e dirigiu-se a seu grupo, apontando um local.
Teve vontade de correr, e correr. E agarrar. Tinha esse desejo intenso, intenso demais de falar-lhe; nada que pudesse esperar. Deveria ser feito. Um pedido de desculpas, talvez. Não, não seria só isso. Vivia-lhe pedindo desculpas, por cousas sem necessidade. Agora, sim, havia necessidade, mas não queria pedir-lhe só desculpas, perdão. Queria algo mais, algo que provavelmente estaria perdido no passado longínquo, mal-interpretado; tinha certeza de ser como Emma, a heroína dos defeitos, que só percebe seu amor por Mr. Knightley quando descobre ser ele o objeto de sua amiga. Sim, era Emma; essa história poderia ter facilmente seus nomes trocados, sem influência direta ao enredo.
Estava ali. Não lhe custava muito, correr, ou mesmo andar. Chegar perto, pegar-lhe a mão, ou até mesmo ajoelhar-se. Implorar-lhe que aceitasse as desculpas. Tinha sido imbecil fazer aquilo. Seus olhos não se moviam, parecia prestes a desatar a correr, quando...
- PRÓXIMO! - berrou a atendente, - Em que posso ajudar-te?
- Um sorvete de baunilha, por favor. Com calda de kiwi.
- Aguarda ali ao lado.
Deu alguns trocados, e recebeu o troco. Estranhou o uso da segunda pessoa, afinal, não é qualquer um que sabe conjugar os verbos, nem ser tão formal. Imaginou o que aquela atendente com um português tão acima da média do que é ouvido por aí fazia numa caixa registradora. Podia ser mais delicada, ao menos. Entendeu porque estava ali.
Pegou seu sorvete, deu-lhe duas lambidas. Começou a andar, em direção à saída, sem olhar para trás. Ou assim desejou.
Teve vontade de correr, e correr. E agarrar. Tinha esse desejo intenso, intenso demais de falar-lhe; nada que pudesse esperar. Deveria ser feito. Um pedido de desculpas, talvez. Não, não seria só isso. Vivia-lhe pedindo desculpas, por cousas sem necessidade. Agora, sim, havia necessidade, mas não queria pedir-lhe só desculpas, perdão. Queria algo mais, algo que provavelmente estaria perdido no passado longínquo, mal-interpretado; tinha certeza de ser como Emma, a heroína dos defeitos, que só percebe seu amor por Mr. Knightley quando descobre ser ele o objeto de sua amiga. Sim, era Emma; essa história poderia ter facilmente seus nomes trocados, sem influência direta ao enredo.
Estava ali. Não lhe custava muito, correr, ou mesmo andar. Chegar perto, pegar-lhe a mão, ou até mesmo ajoelhar-se. Implorar-lhe que aceitasse as desculpas. Tinha sido imbecil fazer aquilo. Seus olhos não se moviam, parecia prestes a desatar a correr, quando...
- PRÓXIMO! - berrou a atendente, - Em que posso ajudar-te?
- Um sorvete de baunilha, por favor. Com calda de kiwi.
- Aguarda ali ao lado.
Deu alguns trocados, e recebeu o troco. Estranhou o uso da segunda pessoa, afinal, não é qualquer um que sabe conjugar os verbos, nem ser tão formal. Imaginou o que aquela atendente com um português tão acima da média do que é ouvido por aí fazia numa caixa registradora. Podia ser mais delicada, ao menos. Entendeu porque estava ali.
Pegou seu sorvete, deu-lhe duas lambidas. Começou a andar, em direção à saída, sem olhar para trás. Ou assim desejou.
E depois diz que não entende como pode ser tão bom personagem.
ResponderExcluirÉ só continuar a escrever.