Querido Tom 08

Rio, casa, quarta, noite.
Querido Tom,
acho que você não aguentaria o calor insupórtável que faz no Rio de Janeiro. Cansei de chegar suado todos os dias à Ouvidoria, mesmo que eu sé tenha recomeçado ontem.
Simplesmente odeio a sensação de estar sozinho numa parada, de estar entendendo algo errado. Mas dessa vez, espero realmente estar entendendo errado.
O professor de História Contemporânea é louco; ele deu uma aula sobre sei-lá-o-quê, que incluía umas boas doses de não-faço-a-menor-ideia, principalmente sobre as várias concepções de história. De vários autores. De diferentes época. Não sei porque raios ele falou de Francis Bacon, ou de Isaac Newton.
A aula de inglês, contrariando minhas tempestuosas expectativas, não será até 22:30; graças. Pena que é o mesmo professor. Não que ela seja chato; só como professor. Ironia do destino. As pessoas legais não foram feitas para o magistério. O outro professor ficará a cargo das aulas não-presenciais (dado o nome semi-presencial, apesar de termos mais aulas não-presenciais que presenciais). Estas serão virtuais.
A torta de limão tava ótima, pena que o café tava forte demais. Devo sempre me lembrar de pedir mais leite que café, sempre. O atendente não foi tão atencioso. Ou não, talvez tenha sido, e estou sendo ingrato.
Hpje lembrei de uma sonho recorrente quando criança: eu. Em pé. Numa rua, dentro da Área de Lazer da Varig, de repente, um furacão, tornado, coisa do tipo; começo a correr. Chão desaparecendo. Não sei como uma criança tão gorda como eu corria daquele jeito. Então, escuridão. Há uma escada, não posso deixar o furacão, ou o quê seja, me alcançar. Os degraus somem. E eu continuo subindo. Acordo, às vezes com a leve, ou forte demais, sensação de queda.
Só falei de sonho porque acho que está na moda. Pelo menos, a Laiane falou deles, digo, de sonhos, em seu blog, também.
A lembrança do sonho foi no õnibus, na viagem de volta. Aliás, não sei o que existe na cabeça das pessoas; qual o problema em fazer obras de recapeamento em horários alternativos, como a madrugada? Odeio a prefeitura universítaria. Eles fazem obras de recapeamento na hora do rush.
Enfim, tinha gente conhecida no ônibus, só não sei se você se lembra. Mas, acho que não. Não mesmo. Ou talvez.
Boa noite, e keep in touch.

Comentários

  1. Acho que é meu trecho/parágrafo preferido: "O professor de História Contemporânea é louco; ele deu uma aula sobre sei-lá-o-quê, que incluía umas boas doses de (...) raios ele falou de Francis Bacon, ou de Isaac Newton."


    E do sonho, não sei. Ainda.
    Você era gordo, mas jogava handebol, logo, tinha bom preparo físico.

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  2. já disse que começar com 'Rio' é muito irônico?

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  3. não. não mesmo.

    o sonho acontecia quando eu era crinaça mesmo, tipo uns 5, 6 anos. achei que estivesse claro.

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