A morte do gato Melado.


E resolvi. Tenho que acabar com isso de uma vez. Já faz sei lá quanto tempo desde que tudo aconteceu e ainda não esqueci. Não me lembro de ter me apegado tanto a um animal de estimação... e olha que já foram alguns que se foram: dois cães morreram e dois foram roubados,um cão foi devolvido ao seu antigo dono e um gato fugiu. Mas com esse foi diferente. Não sei porquê. Talvez tenha sido sua cor laranja berrante que o tornou inesquecível, ou seu ar imponente e majestoso... mas provavelmente foi porque pouco ligava para mim... amor não correspondido sempre atrai a nós, humanos e limitados (e sentimentais).

Já tinha alguns dias que tinha saído e não tinha voltado. Achei até que tinha achado uma outra casa, onde não morasse alguém que o agarrasse e o jogasse para o alto quase todos os dias. Tinha até me conformado com a idéia. Passou-se um mês e então ficamos sabendo da notícia: havia sido envenenado. Não sei o que leva as pessoas a darem essa notícia após tanto tempo. Coisa pior não podia ser... Não esperava menos do pessoal assassino da minha rua... O pobre do gato já havia recebido ameaças de morte por causa de acusações infundadas de que fazia cocô na casa dos outros... Vejam só, quem fazia cocô lá em casa eram os gatos dos outros, e não o contrário!

Preferia ter continuado com a minha idéia de que ele não havia morrido; ele tinha, sim, achado um novo lar. Donos melhores, talvez nunca se saberia. Mas melhor que a morte, de qualquer jeito (não que eu já não estivesse acostumado coma idéia da morte).

Enfim, resolvi mudar o final dessa triste estória:

"Já amanhecia quando acordou. Levantou a cabeça e viu os vários pássaros que se banhavam à luz do Sol. Foi então que lhe ocorreu, subitamente, a idéia mais ousada de toda sua vida: ir embora daquela casa. Não gostava muito dela, principalmente do garoto que o sacudia todos os dias. Decidiu-se imediatamente. Rumou para o portão e, ao chegar lá, olhou novamente para a casa em que morava desde pequenino. Realmente não se arrependeria, pensou. Correu e correu, para que o arrependimento não o pegasse. Chegou à esquina e continuou seu caminho... não foi mais visto por aquelas bandas."

É bem tosca. De qualquer jeito, tentei fazer algo parecido com Baleia, de "Vidas Secas". É meu personagem favorito do livro. Tentei dar a ele características mais humanas, um poder de decisão... assim como a cachorra Baleia. Bem, não sei mais o quê dizer, então.... até a próxima!

Comentários

  1. Melado? Hum... Ouvi boatos. Dizem que vaga por aí escalando os mais altos muros e prédios... Lá de cima, miando baixo, ele olha perdido o mundo... Nostálgico, como se procurasse uma altura ou alguém que nunca mais fosse atingir...

    Acho que você deveria dar uma procurada por ai, Caio.

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  2. Eu até procuraria... se houvesse a possibilidade de ele estar vivo.

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  3. Não procure, não.
    ele não quer mais vocÊ.

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  4. O Caio é um péla saco mesmo...

    Eu entro na dele, sensibilizo-me com a história, dou uma ilustrada...

    Ele me da um cascudo e diz: "Para de sonhar, porra! Tá morto, acabou. Só eu posso poetizar aqui!"

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  5. Achei que tinha carta-branca aqui no blog... hehehe

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  6. Pobre Melado.
    Vizinhos sem coração. ~~'

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  7. Amo muito o ronrom do gatinho! McDonald's! parapapapá!

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  8. Apesar do Melado sempre ter me ignorado sinto saudades dele!!

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  9. tbm tive um gato, o Lince, lindo, peludo. Teve uma ferida nas costas, gastei quase 200 reais para curá-la, mas num deu :(
    Ele tá agora no paraíso dos gatos, onde há muitos prédios para se escalar e sofás para afiar a unha rsrs

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