Einstein: sua vida, seu universo - Walter Isaacson


Um bom livro. Uma das mais recentes, completas e aclamadas biografias desse sujeito incrível que foi Einstein.

Vou dar uma "palinha" para vocês:

Einstein nasceu em 1879. Alemão e judeu. Demorou a aprender a falar e antes de se pronunciar abertamente, murmurava as frases repetidas vezes, até que soasse bem; o que acabou fazendo com que fosse rotulado, até por parentes, de "quase retardado" ou "estúpido".

Seu lento desenvolvimento e sua rebeldia descarada, tornaram-no o padroeiro dos alunos desatentos. Porém, ao contrario do que muitos livros e páginas da internet dizem, ele nunca foi reprovado em matemática. Antes dos quinze anos já dominava cálculo diferencial e integral, pedindo aos pais que lhe comprassem os livros devidos e estudando tais matérias durante as férias. Foi um aluno aplicado nas disciplinas das quais gostava e mediano nas demais, terminando seus estudos em Aarau como segundo melhor aluno e ingressando na Politécnica de Zurique.

Lá, enamorou-se de Mileva Maric, três anos mais velha do que ele. A qual, embora fosse uma mulher manca, morena e feia, possuía as qualidades que ele, na época, considerava atraentes: paixão pela matemática e ciência, profundidade sombria e alma sedutora.

Einstein prosseguiu com os estudos e com o relacionamento amoroso. Terminou a politécnica de Zurique como segundo, mas dessa vez de baixo para cima. Atribui-se a isso uma tese de pesquisa insípida, sua postura contestadora, endossada por uma necessidade de entender e resolver os exercícios de sua própria forma e o fato de que cabulava aulas para aprofundar-se nas teorias físicas da época, quesito em que julgava seu curso defasado. Logo ao se formar, começou a procurar emprego, por deveras depois de saber que Mileva estava grávida. No entanto, os desafetos que nutrira com professores da Politécnica, impediam-no de obter boas referências, o que resultou em recusas e mais recusas de emprego. Einstein chegou a comprar uma pilha de cartões-postais com selos anexos, na esperança remota de que, assim, pelo menos receberia uma resposta.

Sua filha nascera e ele não tinha ido conhecê-la ainda. Chegou a enviar cartas a Maric dizendo que em breve iria vê-las, mas a oportunidade se esvaneceu. Depois de algum tempo, também Maric deixou a criança. Um casal de amigos tomou conta dela e depois suspeita-se que foi adotada. Seu paradeiro permanece incerto. Einstein referiu-se a sua primogênita pouquíssimas vezes e nunca chegou a vê-la.

Após mais de 2 anos sem um emprego fixo, Einstein enfim conseguiu um cargo no Escritório de Patentes, em Berna, na Suiça, graças a um de seus melhores amigos da Politénica. Ele gostava do ambiente e das pessoas. Alguns anos antes já havia renunciado a cidadania alemã e, com o dinheiro poupado durante seus estudos em Zurique, tornara-se um cidadão suiço. Sua profissão consistia em analisar pedidos de patentes, invenções e novas formas de sincronizar os relógios da cidade. Embora excluído das panelinhas acadêmicas, Einstein logo aperfeiçoou seu método de trabalho, concluindo o serviço referente a um dia inteiro em apenas três ou quatro horas, o que lhe permitia dedicar o resto da tarde a estudos e experimentos mentais.

Em 1905, Einstein deu a luz à Teoria de Relatividade Especial. Nela ele salienta o argumento de que não se pode determinar o que está em "movimento" e o que está em "repouso", pois ambos dependem de um referencial. As mesmas leis da física que se aplicam a um homem sentado na poltrona em casa, aplicam-se a outro em um avião com velocidade constante. O homem na poltrona pode ser considerado em "repouso" e o do avião em "movimento", assim como o do avião pode ser considerado em "repouso" enquanto a Terra passa. Mas e quanto a luz? Na época o preceito mais amplamente defendido era o de que a luz se difundia em ondas, o que trazia a tona perguntas como: qual era o meio pelo qual se difundiam essas ondas e relativo a quê determinava-se sua velocidade de 300 mil quilômetros? Einstein refutava a existência do Éter, um meio invisível simultaneamente tênue e rígido que preenchia todo o universo sem que interferisse nos planetas, mas que possibilitasse a propagação da luz, assim como o ar possibilita a propagação do som, a uma velocidade enorme. Era ao éter que acreditavam ser relativa a velocidade da luz. O Éter era a encarnação do estado de "movimento absoluto" da física newtoniana. Einstein opunha-se a conceitos que "não possuem vínculos com a experiência", assim como: "velocidade absoluta"," espaço absoluto" e "simultaneidade absoluta". Para simplificar suas proposições ele se valia de experimentos mentais, como por exemplo a "simultaneidade absoluta". Vejamos a brilhante situação por ele criada para ilustrar o fato:

Um pessoa viaja em um vagão aberto, da esquerda para a direita. Há um observador perpendicular aos trilhos e no momento exato em que ele e o viajante ficam frente a frente, dois raios caem no vagão a uma mesma distância do viajante, um a direita e o outro a esquerda. O observador à beira da rodovia diria que foram simultâneos. Porém, o viajante diria que o raio da direita caiu antes, já que por estar se movendo para a direita junto ao trem, a distância percorrida pela luz precedente do raio que caiu deste lado é menor. Ou seja, os eventos simultâneos a um ponto de referência podem não ser a outro. E, como de acordo com o máxima da relatividade, não há meio de se dizer quem está em "repouso" ou "movimento", também não há como determinar quem está "certo" ou se o fato "realmente" ou "absolutamente" foi simultâneo.

Trata-se de uma idéia simples, mas radical. Significa que não há "tempo absoluto". Além disso, Einstein aprofundou-se e concluiu que se o tempo é relativo, também o são espaço e distância. Quanto ao Éter, muitos cientistas já haviam se esforçado para comprova-lo e nenhum experimento obtivera sucesso pleno. Parecia que o problema precisava ser reformulado e era exatamente isso que a teoria da relatividade oferecia: uma nova forma de interpretação da realidade, livre de verdades absolutas e conceitos antiquados.

Para fechar seu ano miraculoso, Einstein deduziu a formula E=mc². A energia é igual a massa vezes o quadrado da velocidade da luz. A velocidade da luz é enorme e seu quadrado quase inconcebível. Por isso uma pequena quantidade de matéria, se completamente convertida em energia, teria um poder gigantesco.

O reconhecimento batia na porta de Einstein e grandes nomes da física começavam a contactar-se com ele e marcar encontros. Por outro lado, continuava a trabalhar seis dias por semana, oito horas por dia, no Escritório de Patentes, algo um tanto incoerente para um alguém que começava a se tornar dor de cabeça para os físicos clássicos e marretar os alicerces do universo físico. Além disso, ao menos uma vez por semana, tocava violino com um quarteto de cordas, e despendia boa parte de seu tempo livre com seu filho Hans Albert...

Será que mesmo sendo pressionado por diversas frontes, Einstein conseguiria dar seqüência a sua torrente de artigos e resenhas? Ele já falhara profundamente como pai uma vez e seu distanciamento familiar se agravava a cada uma de suas introspecções no mundo da física. Será que Mileva Maric, que já tinha propensão a depressão, não cairia de vez na escuridão? Será que a fama, que só viria a crescer, não faria com que ele perdesse a cabeça e desse pitaco em assuntos que não eram de seu domínio?

Fora essas questões pessoais, a Teoria da Relatividade Especial só se aplicava a um movimento uniforme e de velocidade constante. Ou seja, uma ocasião extremamente restrita em questões reais e empíricas... Conseguiria ele ampliar seus conceitos e criar uma teoria geral?

Em algumas das questões acima ele realmente falhou, deu suas burradas, e é isso que é legal. Leiam o livro os que quiserem saber. É bem interessante. O cara viveu a vida do melhor jeito que pode. Dedicou-se àquilo que acreditava e seguiu sua intuição até o fim.

Comentários

  1. Blá blá blá... já li esse texto... hehehe... até ajudei e discuti... Rudy, agora você não pode reclamar... li um texto que considerei quase "broxante"!

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  2. Blá, blá, blá... Vai ler Crepúsculo, vai.

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  3. Já li... e mesmo Stephen King falando que o livro é uma bosta, eu leria de novo!

    Em defesa dos leitores da série Crepúsculo!

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  4. Crepúsculo é muito bom! *-* asuhashuas ..

    Mas eu gostei do post do Rudy, bem informativo. =)

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  5. Pra que tanta competição meus amigos?

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  6. É a lei da sobrevivência... como eu disse não precisa ir pro mato pra desbravar a selva. A selva é aqui.

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