A sede

Que deliciosa necessidade. Gosto de degustá-la e senti-la se intensificando gradativamente. Pode parecer estranho, mas pelo menos nesse momento, sei do que preciso.
Muitas vezes me vejo perdido (acho que todos nos encontramos assim em certos momentos), precisando de algo e inconsolado por não saber o quê. Como o deserto expandindo-se, bate uma tristeza calma, que desbota a vida com seu manto cinza e perfura todas as máscaras perguntando a indefesa criança que verdadeiramente somos: “Qual o seu porquê?”
A pergunta entra como um zumbido por cada poro de parede oca, por cada fresta desse tosco cenário teatral improvisado de verdades no qual nos escondemos. Preenche-nos, transtorna-nos e faz com que ponhamos a prova a integridade de cada objeto e conceito que nos cerca. Os quais, ao toque não mais de contemplação e aceitação, mas de oposição, desfazem-se nas cinzas das mais antigas fogueiras já consumidas. O cenário desmonta e despenca e a poeira sobe aos olhos e adormece, os ruídos silenciam, vemo-nos sozinhos, no escuro, a luz do holofote final a esvair-se...
O que há além dessa escuridão!? O que há além dessa escuridão!? O que há além dessa escuridão!? O que há além dessa escuridão!? O que há além dessa escuridão!?
Embora destruído o antigo cenário me prende. Tropeço. Seus destroços me impedem de sair. Sons distantes e cores brotam de repente, acordam-me e colocam para dormir. Tudo se rearranja e endireita - e o que aconteceu então, não passa de um borrão de loucura.
Da próxima vez, escreva algo comentável, Jack.
ResponderExcluirNossa, gostei demais... Vc q escreveu?
ResponderExcluirEu escrevo mal! Nem sei pq. Como vc achou meu blog?